segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Xiquinho

Não deve existir pior sensação do que a de perder um ente querido, seja ele familiar ou amigo. O sentir que nunca mais se verá essa pessoa, que nunca mais lhe tocaremos, que nunca mais chamaremos pelo seu nome é do mais brutal que existe. Sente-se um vazio inexplicável, uma dor indefinível que faz com que as lágrimas caiam sem qualquer controlo da nossa parte. Sentimo-nos pequeninos, frágeis, impotentes e acima de tudo, infinitamente tristes. Sabemos que a vida continua e que amanhã doerá menos, assim como nos dias que se seguem, mas até o amanhã chegar, ainda vivemos o hoje.


Não me morreu nenhuma pessoa, mas sinto como se me tivesse morrido alguém da minha família. Considero que os bichinhos que acolhemos na nossa casa e no nosso lar fazem parte da nossa família, porque partilham todo o nosso dia-a-dia. Não falam (pelo menos à nossa maneira) mas expressam, muitas vezes, mais amor e dedicação do que algumas pessoas.


O Xiquinho, (título do post) era o meu gatinho. De produção caseira, como eu costumava dizer, porque nasceu em minha casa, da gatinha que eu já tinha. Nasceu e cresceu sempre connosco, sempre cheio de amor, de mimo e de regalias porque era considerado um principezinho. Era cinzentinho com uns olhos verdes muito brilhantes, terrivelmente meigo e comilão. Podia estar aqui a escrever durante muito tempo sobre as suas tropelias e brincadeiras, mas prefiro guardar essas memórias bem junto do meu coração. Refiro só que ele tinha (tal como todos os gatos) uma grande necessidade de liberdade. E como tal, fazia birra para ir à rua (neste caso era para os campos que existem nas traseiras da minha casa) todos os dias. E nós deixávamos, plenamente conscientes de que um dia ele podia ir para a zona dos carros... mas incapazes de lhe negar esse momento de liberdade que o caracterizava.

Não é preciso puxar muito pela imaginação para perceber o que aconteceu. Já há bastantes dias que ele não regressava a casa... temíamos o pior, mas havia sempre a esperança, porque ele voltava sempre. Mas desta vez não voltou...Não sei quando foi ou como foi, mas descobrimo-lo hoje caído perto de uma silvas, onde alguém o pousou depois de um carro lhe ter batido. Agradeço à pessoa que o posou lá porque teve a decência de o tirar do meio da estrada onde muitos jazem, dando assim um descanso ao seu corpo. Agora, será colocado no nosso quintal, perto de nós, porque foi um de nós.


Dizem que os animais não têm alma, mas eu digo que eles têm coração. E isso basta.

4 comentários:

afectado disse...

este texto "tocou-me"...

isto porque eu tenho uma gata, como já tive vários, e sei bem que não se pode limitar o desejo de liberdade que eles têm. e também sei que as ausências deles por uns dias são normais, voltam sempre. o problema é que depois há uma vez que não voltam.

perdi recentemente a mãe da gata e o irmão... foram e não voltaram :(

e agora quando dou pela ausência da minha gata fico logo a pensar se ela irá voltar...

Paula disse...

:(

O meu nunca voltou... não sei se é melhor ou pior... Pelo menos não vimos e pudemos sempre ter a utópica ideia de que está bem, apenas noutra casa qualquer...

Beijoca enorme e cheia de miminho para ti...

liliana disse...

Senti a mesma perda quando o meu paxó nos deixou, apesar de não estar diariamente com ele... Dentro de duas semanas, fará 9 meses que nos deixou. E cada vez que vou a casa dos meus pais, falta lá ele. Porque como dizes, os animais podem não ter alma, mas têm coração!...

abraço forte

Ilidia disse...

Ola querida Té!
Ainda ontem te vi no gym e nem se quer falamos....

Compreendo perfeitamente o q estás a senti!
Até porque o unico gato q tive na vida teve o mesmo fim e nome :)

Beijoca Grande e reconfortante!